Walking Dead

Eu não saberia como puxar essa conversa contigo pessoalmente. De certa maneira, eu venho te falando essas coisas em pequenas prestações a cada vez que a gente se encontra. Mas nunca consigo encadear o raciocínio, porque teu sofrimento vem sempre primeiro, teu coração dói e então, nada mais me importa.

Aqui eu tenho tempo de desenrolar a coisa toda, de voltar atrás, de engatilhar um pensamento até o final.

Então, vamos lá.

Isso aqui é sobre essa sensação de estar perdendo tempo na vida. Sobre esse trabalho em que você está metido até o pescoço e essa sensação de que nada do que você está fazendo é realmente relevante para os outros seres da nossa espécie. Então o cliente te pede o impossível, teu chefe promete o impossível, você entrega o produto que consegue, o cliente te humilha, teu chefe te humilha, você agüenta isso tudo por causa da mensalidade da escola do teu filho e na semana seguinte, depois do trabalho entregue, tua vida não mudou, a vida do cliente não mudou, a vida do teu chefe não mudou e a vida do teu filho não vai ser melhor por isso.

Então vem um novo cliente, um novo job. Você coloca chantilly pra ver se a coisa fica mais macia, mas continua com essa sensação terrível de que aquilo não significa nada. Não precisamos de mais versões daquele produto. Não precisamos de novas maneiras de convencer as pessoas a continuarem comprando aquilo. De fato, aquilo faz mal. Aquilo vai envenenar seu filho e o filho dele também.

É hora de mudar de empresa, você pensa. Então busca uma nova oportunidade só para enxergar que é a mesma, só que com um chantilly que você mesmo colocou para ter a ilusão de que está fazendo alguma coisa. E é tão difícil fazer alguma coisa. Por onde começar? O meio ambiente está estragado. As relações humanas estão comprometidas. Nossos alimentos estão modificados para serem lucrativos. Nós estamos sendo modificados para sermos lucrativos.

Mil outros como você estão nos carros ao seu lado, ou na travessia do metrô, ou no ônibus cheio, ou na liquidação do próximo shopping. Mil outros com o sorriso forjado pela conta bancária no azul por alguns dias. Não fazem nada de relevante. Não podem fazer. Têm contas a pagar. Precisam dar um futuro melhor para os seus filhos, assim como os nossos pais fizeram para nós. Mas a pergunta: “É esse o futuro que meus pais imaginavam?” não sai da sua cabeça. O mundo do teu filho está indo ladeira abaixo. E você não consegue fazer nada a esse respeito, a não ser pagar contas fazendo um trabalho que não coloca o mundo nos eixos.

Parece que não tem muito jeito. Você se envergonha de se sentir assim. Não consegue conversar com outras pessoas sobre esse vazio. Não ousa partilhar isso com sua esposa, ou marido, por medo que ele o abandone. Por medo que pareça infantilidade você não querer mais trabalhar para produzir nada. Você guarda isso consigo mesmo, como se fosse uma doença. E até se medica por isso, esperando não sentir mais o fracasso.

Essa é a civilização de mortos que nós construímos.

Eu não tenho a intenção de lhe dizer o que fazer, porque eu não sei.

Posso comentar o que eu mesmo fiz, se lhe for útil. Posso comentar como foi que essa crise me acertou e como foi que eu me acertei com ela. E como estou trilhando esse caminho.

Eu me convencia que o meu trabalho poderia criar consciência nas pessoas e então elas seriam capazes de construir um mundo melhor. Então minha parte na coisa era criar consciência. Então me tornei um moralista. A cada trabalho eu me esforçava mais e mais para causar esse impacto e forçar as pessoas a mudarem sua perspectiva sobre o mundo. Então me tornei um autoritário. Meu trabalho tinha pouco impacto nesse sentido. Eu passava um longo periodo de testes, de experimentações, tentando prever o que aconteceria com as pessoas até que chegava a hora de apresenta-lo ao público e a reação das pessoas não tinha nada a ver com o que eu tinha previsto. Então eu me tornava manipulador.

Não tinha coragem de me expressar abertamente sobre certos temas, por medo do que as pessoas poderiam pensar a meu respeito. Preferia ficar nos assuntos pré-fabricados, com as opiniões permitidas pela mídia: a favor ou contra isso ou aquilo. As tragédias do momento. As políticas sempre ineficientes. Eu falava do que os outros estavam fazendo porque não conseguia falar do que eu estava fazendo. De como havia esse enorme hiato entre o que eu conseguia praticar e aquilo que eu predicava.

Era vergonhoso.

Não teve muito jeito a não ser encarar que eu tinha fracassado miseravelmente como ser humano. Que eu era um covarde. Que todo o tempo eu tinha me movido para ser para os demais uma espécie de herói, quando na maior parte do tempo eu estava acovardado de ser quem sou. Eu tinha que aceitar esse limite. O quando eu poderia ser naquele trabalho? O que eu alcançaria de verdadeiro para mim mesmo? Eu chegaria no topo da escala, os outros me olhariam e diriam “gênio” e então… O quê mais? Talvez meus ganhos fossem maiores. Talvez eu marcasse uma tendência qualquer. Mas qual a significância disso?

Um fracasso, mesmo que eu obtivesse algum êxito.

Desisti disso. E me entreguei ao vazio. Ao fracasso absoluto. Quando uma nova idéia surgia à respeito do que fazer, eu a observava e descobria o quanto era velha. O quanto estava impregnada daquela minha maneira de pensar que me levou a fracassar. Então eu sabia que estava fadado a me repetir. E que essa trilha “nova” na verdade me levaria para um velho caminho.

Acho que essa parte é a mais difícil. Porque a gente vai ficando ansioso. O estado emocional é terrível e a gente quer logo sair dele, então começa a improvisar. Ele drena a sua energia. Drena seu movimento. Você fica sem vontade de fazer nada. Você sabe que precisa morrer. Que precisa abandonar esse que você era e entregar esse negócio ao seu próprio calvário. Improvisar é repetir. Não tem jeito. É preciso esperar.

A gente está numa época em que o sentido de fé está perdido. Fé é uma moeda para conseguir alguma commoditie de deus.

Eu encontrei um sentido novo de fé quando cheguei nesse limite. Olhava para mim mesmo e sabia que já tinha me esgotado. Que não poderia encontrar nenhuma solução nova. Que estava absolutamente adestrado pela vida e que só repetiria os mesmos truques de sempre, fatalmente no futuro caindo nos mesmos erros e de volta a esse estado insuportável de ter fracassado como ser humano.

Então eu disse: “eu esgotei tudo o que consigo fazer e abro mão de lutar. Eu me entrego e aceito o que vier. Mesmo a morte. Mesmo o nada. Desisto de lutar pela sobrevivência.”

Então me entreguei mesmo. E aguardei. E aceitei a espera. E nada fiz. E rezei.

Todos os dias eu reafirmava essa oração: “eu não sou nada. Não sei o que fazer, nunca soube. Estou perdido aqui, com meus semelhantes e não tenho a menor idéia do que fazer. Fiz o que me foi pedido e tudo era vazio. Sinto que não realizei o que preciso realizar. Estou perdido, me ajude.”

Abandonei a pretensão de saber o que fazer. Não. Eu não sei.

Então, no meio desse cinza todo, começaram a aparecer uns lampejos de uma coisa muito delicada. É preciso uma certa atenção para não se perder no circuito da autopiedade ou da ira. Não. Se mantenha nesse lugar sem se sentir uma vítima da vida. Você não é. Isso apenas aconteceu. Não havia outra maneira. Você precisava se permitir chegar a esse lugar e é daí em diante que a coisa pode mudar. Essa mudança não é cheia de efeitos especiais. Não é um prêmio ou um castigo.

É como aquela brisa suave que você percebe de repente no meio dos seus afazeres e que te comove inexplicavelmente. É delicado. Suave. Simples. Você precisa ir tentando capturar essa brisa, no meio dessa tristeza. Ela surge ali.

Um pouco num dia. Um pouco em outro dia.

Enquanto isso, a vida segue sem sabor, como sempre seguiu. A diferença entre o antes e o agora é que no momento você percebe o lugar de morte em que sempre esteve e antes, você fingia que estava vivo. Só isso. Viver é decidir estar vivo.

Mas agora surgiu essa brisa, que não se parece com nada. Você sente que ela é algo que já passou por sua vida algumas vezes. Não é uma espécie de euforia. Não é nada parecido com isso. Mas está lá.

Isso é o que você é. Suave, como essa brisa. Delicado. Simples. Nem mais nem menos que ela.

À medida que você vai espreitando essa delicadeza, ela vai se manifestando através de você. Viva. Pulsante. Linda. Simples.

Você se entrega a ela. Independente das suas falhas, dos seus limites, das suas dificuldades. Você abre mão dos seus limites e busca essa delicadeza. E se entrega.

Isso é como eu experimento a fé. E deus, é essa delicadeza.

Minha vida adquire outro significado nos momentos em que eu expresso essa delicadeza.

Nesse momento eu realizo aquilo que vim realizar.

E me sinto útil aos outros seres humanos.

 

Mono

Acabei de encontrar uns amigos e em algum momento da nossa roda de conversas eu me lembrei do Russomano, naquela entrevista do SPTV com o César Tralli. O episódio ficou conhecido pelo meme “Vamos falar de São Paulo”, resposta que o candidato dava para se esquivar da incômoda pergunta sobre a Igreja que o financiava.


É um jeito interessante de se manipular um grupo.

Primeiro, você desqualifica tudo o que está sendo conversado pelo grupo. Coloca tudo num mesmo pacote de inconsequências. E depois, você insere o seu bordão, como se fosse o único assunto digno de ser conversado. Provavelmente o assunto anterior de incomoda de alguma maneira. Te tira do sério. Isso é assunto seu, de mais ninguém. Mas é insuportável lidar com isso. Você começa a achar que as pessoas deveriam estar falando de outra coisa. Do seu problema. Daquilo que te interessa.

Então você prepara a sua voadora com os dois pés e entra de sola.

Legal.

No pior dos casos, você consegue trazer o assunto à tona e as pessoas até se comprometem com a sua causa. Você é genial! Delega tarefas, decide pelos outros o que cada um vai fazer, estabelece prazos, faz suas promessas. O tempo passa e ninguém faz nada. Nem você.

Uma pessoa sai, a outra inventa uma desculpa. Você decide que a coisa vai sair de qualquer maneira e toca tudo sozinho, numa espécie de martírio. Quer mostrar que não precisa da ajuda de ninguém. Que você dá conta da coisa. Vai ficar um pouco mal feito, mas você fez tudo sozinho. Você fica rude com as pessoas, ainda mais. As pessoas não estão fazendo aquilo que você esperava que elas estivessem fazendo. Estão regulando.

Então a coisa não dá certo. Você culpa o cosmos, os outros, a puta que o pariu.

Mas hoje não foi assim que aconteceu com você.

Você falou, usou sua técnica, foi rude com as pessoas e ninguém deu a mínima. Ou melhor, ninguém te autorizou a isso.

As pessoas continuaram com a sua conversa, que estava sendo muito mais útil para elas. Você ficou remoendo, achando que ninguém quer nada com nada, mas as pessoas só não queriam nada com a sua ditadura.

Essa anarquia é o inferno do ditador que você é.

Animal humano

Fomos ao zoológico na segunda-feira. Passeio com as crianças e com a Clau, que não conhecia.

Eu me lembrando da minha primeira ida ao zoológico, quando eu era criança, num passeio de escola. Minha expectativa elevada, de ver os animais pertinho. Mas o lobo destruiu tudo isso. O lobo e sua merda fedida. Seu cativeiro apertado. Sua tristeza. Mil crianças na minha frente, tentando enxergar os animais. Reclamando, porque o urso teimava em se esconder atrás dos arbustos. “Eu queria ver o urso”. Eu não queria ver mais nada. E o passeio ia durar até as 17hs, então, bora esperar.

A gente se encanta com as crianças, se espelha no olhar deles. Então eu silenciei minha melancolia habitual em honra a tanta inocência. E me dediquei a observar o animal covarde que se chama homem.

Olhando o tigre atrás do vidro. Um tigre reduzido a uma quitinete.

E o mimo do homem, exigindo a presença do animal. A natureza humilhada. Uma ofensa, sem fim.

O homem e suas lojas de conveniência, seus stands da coca-cola em toda parte. O homem e seus carrinhos elétricos para passear no zôo. Pagando um pouco a mais para ver os animais soltos, de dentro de um carro blindado. O homem e sua banha, sua manha. O homem que apanha a merda do cão numa sacola de supermercado.

E o lobo?

E o lobo e seu mau cheiro.

Não pude vê-lo.

Não suportaria.

Em meu delírio, os animais estavam soltos e nos caçavam.

Guenta ser livre, irmão?

Não aguenta.

Te lançam numa terra farta para a colheita, você se senta embaixo da árvore e começa a reclamar porque o fruto ainda não amadureceu. Quando amadurece e cai, você acha que está maduro demais. Reclama da árvore. Enche a pança de um fruto só e começa a reclamar que não aguenta mais comer daquilo.

Vem um e te manda sair dali e você manda ele tomar no cu. Vem um maior e diz a mesma coisa e você sai agradecendo. Ali na frente vai falar mal dele pra outro, mas na frente do grande, você sorri e agradece o conselho. Pensa que ele quer ficar com a merda da sua árvore e vai atrás de outra, ficar sentado mais um tempo, reclamando. Fingindo que colhe os frutos.

Se cansar de pular de galho em galho, de árvore em árvore vai começar a esculachar os pequenos. Vai arranjar um monte de árvores com gente menor que você “tomando conta”. Reclamando igual você. Mas você agora é grande e vai mandar o cara sair dali. Cobrar uma fruta nova do sujeito, que não vai ter coragem de te mandar tomar no cu, porque é menor.

Você é esperto agora. Ainda não faz nada, mas arranjou uns negos para não fazerem nada por você também. Terceirizou seu nada. Então você consegue ser nada ao quadrado e ainda manda nos outros. Legal né? Teu pomar cheio de frutas, tua pança cheia de opções e tua merda da mesma cor das tuas reclamações.

Agora dá pra reclamar do nada que os outros fazem, enquanto você faz muito o seu nada. Você é um grande empreendedor de nada e os outros só exploram você. São uns inúteis. Não fazem um nada que preste. Só você é quem sabe bem como fazer um nada bem feito.

É hora de expandir, de ensinar pros outros o nada que você aprendeu. É hora de dar o exemplo, de mostrar como é que se faz. Os outros são ignorantes, fazem mal feito porque não sabem fazer nada. Você agora é professor, quer explicar o sucesso de fazer nada. Então você senta e reclama. Reclama do nada que os outros fazem, enquanto você faz nada muito melhor.

Então vem alguém e te diz para fazer alguma coisa e você manda ele tomar no cu. Vem um maior e te diz a mesma coisa e você fica agradecido. Começa a citar o sujeito nas suas palestras. Você faz críticas a ele. Acrescenta sabedoria aos comentários do outro. Pensa que ele se sentiu ameaçado pela sua genialidade. Chama o outro de retrógrado, de atrasado, de velho.

Você vai falar para quem quer ouvir. Então forma uma legião de súditos, procurando conselhos sobre como fazer nada.

De como viver numa terra farta e se sentar embaixo de uma árvore, esperando que a fruta caia, para depois reclamar, apanhando do maior e mandando o menor ir tomar no cu.

Sem saber o que é ser igual.

Sem prática em plantar, em colher, em se virar.

Em ser igual aos outros.

Sempre querendo mandar com medo de obedecer.

Um caminho para morrer

Tão protegido do tempo, o homem de hoje tem dificuldades para o morrer.

As coisas que ele ainda não tem o lançam para o futuro, sempre sendo o mesmo que o ontem. O domingo antecedendo a dura segunda. O assunto do momento, automatizado pela mídia. A conversinha sem sentido, sem sentimento. A fofoca requentada. A vida seguindo automaticamente, salário após salário, conta após conta, dívida após dívida. A vida em débito automático.

Deus é o papai Noel pelado e sentado nas nuvens, que dá presentes o ano inteiro, desde que você fique devendo um pouco mais. Graças a deus! Não é de graça.

Com diversas opções para falsamente escolher e ser previsível nos sabores tutti-frutti, hortelã, morango, abacaxi, anis, cereja radical e uma miriade de sabores e cores fabricadas. No horizonte, um outro concorrente, igual a você, só que com o cabelo azul e um celular diferente. Respire fundo, coloque o peito para a frente e se faça mais forte. Repita a frase do momento, a opinião inteligente do momento, o jargão do momento. Se faça aceito. Mostre que é melhor que ele que mostra que é melhor que você. Mais do mesmo. Mesmo do mais.

Acorda, abre o olho e lembra que não tem dinheiro para pagar as contas do mês. A garganta se fecha, pensa em pedir emprestado e se lembra que já pediu, porque no mês passado ou no outro ainda já havia tido esse pensamento quando o dinheiro também acabou. Na melhor das hipóteses, vai trabalhar pagando imposto automaticamente quando o dinheiro cai na conta. Pagando as contas automaticamente. O dinheiro sempre cai na conta. Na dele ou na de outros. Ultimamente, mais na de outros do que na dele. Caindo na dívida, mês a mês, enquanto o dinheiro deixa de cair. Pintando também a dívida de vermelho, como tudo que é mal: menstruação, comunismo e fanta-uva.

Ele gosta do que faz? Ele gosta do que faz? O que ele faz? Compra e paga? Paga? Ultimamente, compra a crédito. Um dia eu pago. Um dia antes de morrer. Um dia. Amanhã não devo mais. O que ele faz? Ele quem é?

Ele é quem deve.

E a culpa não é do governo nem do patrão. A culpa é dele mesmo que gasta mais do que pode comprar. Por isso deve. Porque não sabe economizar, apesar dos eletrodomésticos dele serem todos de linha branca e do celular, que já não funciona, ter sido comprado em doze vezes sem juros. Apesar de ele escolher o sabão em pó mais barato que já deixa as roupas mais brancas para ele não ter de comprar mais um produto só para deixar as roupas brancas. Ele que tenta fazer compra do mês no atacadista para comprar a preço de fábrica.

Ele quem é?

Ele é o que reza pouco. Que tem pouca fé. Que não está acreditando muito em deus porque está demorando um pouco para ele ganhar na loteria ou para algum parente dele virar político ou pastor de igreja para ele arranjar um emprego melhor em que ele não precise trabalhar tento para ganhar tão pouco. Que ele possa não trabalhar para ganhar muito, como os políticos e os milionários, que para ele não trabalham pesado.

Ele quem é?

Ele é quem vai passar o pau naquela bunda daqui a pouco porque ficou excitado desde que ela entrou no ônibus. É ele quem está comendo pouco a sua mulher, porque anda muito preocupado com as contas todas que ainda faltam pagar. É ele aquele cujo peito dói e quando ele percebe, a bunda já está sendo encoxada por outra pica e ele, de pau duro, vai ter que passar por trás de outro homem porque o ponto dele já chegou e ele precisa descer. Nem a bunda do ônibus ele consegue encoxar.

Esse é o homem que vem ao teatro.

Na porta do labirinto o homem vê uma cabeça de touro.

Ele quem é?

O minotauro.