Direitos

Hoje eu contei pra um amigo que muitos figuras do SEBRAE eram ligados ao PSDB. E que esse lance do M.E.I. (micro empreendedor individual) era um jeito de a gente ir aceitando a perda dos direitos trabalhistas. Comentei com ele que a “pejotização” do trabalho era uma das linhas de estratégia para essa agenda. E falei que a M.E.I., como alternativa “simples” era na verdade uma outra linha de estratégia dessa mesma agenda.

Eu fui caçando esses links porque tem um diretor do SEBRAE que saiu candidato pelo PSDB nas últimas eleições. Esse mesmo cara foi assessor do Geraldinho, na época em que eu estava na faculdade. Eu pensei isso sozinho, tá. Porque eu conheço o sujeito em questão, que era namorado de uma amiga minha (que eu adoro) e eu me lembrei dessa divergência. Só hoje é que eu achei essa notícia aqui: http://jornalggn.com.br/noticia/aparelhamento-politico-no-sebrae-sp-gera-demissoes

Daí que o SEBRAE tem palestra com o Skaf, da FIESP, que é membro do seu conselho deliberativo. E é também quem paga o pato.

O lance do M.E.I. é que parece um enorme benefício para quem está na informalidade (isso é, quem trabalha sem carteira assinada, sem contrato, sem benefício, etc…). A gente agora tem que ser empreendedor e é super bem assessorado pelo SEBRAE nesse processo. O negócio é que essa assessoria é uma baita vaselina para o sujeito que já está com os seus direitos trabalhistas reduzidos pela “pejotização” do trabalho aguentar a tora dessa agenda nefasta do neoliberalismo.

Então ninguém tá vendo que é a mesma coisa. Os políticos lá no congresso ou na assembléia (a legislativa e a de Deus) são só cortina de fumaça. Os operadores reais são as associações de empresários do nosso país, de empresários estrangeiros e os banqueiros. Então essa operação toda, que você fica achando que é coisa de Brasil corrupto é na verdade uma coisa toda orquestrada pelo pessoal que comanda onde é que o dinheiro vai estar. As corporações e seus funcionários.

São sempre os mesmos, entende?

Daí meu amigo “ficou de cara”, como ele mesmo disse…

Eu tô pensando que é engraçado esse negócio todo. Porque os empresários, mesmo os pequenos, reclamam que os encargos para o governo são enormes. E que a “máquina governamental” é ineficiente e corrupta. Que muito dinheiro desaparece…

Então a gente fala de reforma tributária. E ela não anda.

A gente fala de reforma política. E ela não anda.

E os políticos que deveriam ter essas coisas na pauta são financiados pelo setor que deseja ardentemente que o Estado seja ineficiente.

E eu me dou conta de que se o Estado for ineficiente, alguém vai ganhar com esses serviços que ele deveria prestar.

A democracia corre perigo aqui em casa. A gente sem emprego, tentando empreender nossas idéias, o país nesse estado. Sabe quem é que ganha com a minha mulher chorando? O banco.

Ele vai dar um empréstimo para a gente esperar a crise passar.

A crise que ele mesmo gerou.

E o governo, que deveria estar nos defendendo? Cadê ele?

Nunca houve. Não esse. Nem nenhum, já faz algum tempo.

O governo é essa coisa corroída por interesses corporativos.

Esse zumbi.

Então eu estou pensando que o governo não pode ser essa coisa gerida por políticos. Tem que ser algo gerido pelos miseráveis. Por mim. Pela Claudia, que chora. Pelos meus filhos e amigos. O parceiros da minha timeline real. Aqueles com quem eu tomo café, cerveja e discordo. Mas que lavam a louça antes de ir pra casa.

Eu não me importei com o fato desse rapaz que namorava a minha amiga na época pensar diferente de mim. Nós fomos criados em situações muito diferentes. E eu acho mesmo que ele é bastante eficiente naquilo que decidiu fazer. E ele encontra apoio de outras pessoas que também acreditam nisso.

Isso eu admiro neles. Eles encontram apoio uns nos outros, enquanto a gente desmorona, fracassa e se endivida. Porque a gente se envergonha disso e abaixa a cabeça. E fica sozinho no escuro. Esperando a crise passar.

Eu não quero mais isso.

Quero tomar café com você, na crise mesmo. Quero te ajudar, com aquilo que eu puder. Eu estou aqui. Estou com você.

Quero atravessar isso e superar.

Eu não confio nesses senhores.

Não confio nem um pouco.

 

Mono

Acabei de encontrar uns amigos e em algum momento da nossa roda de conversas eu me lembrei do Russomano, naquela entrevista do SPTV com o César Tralli. O episódio ficou conhecido pelo meme “Vamos falar de São Paulo”, resposta que o candidato dava para se esquivar da incômoda pergunta sobre a Igreja que o financiava.


É um jeito interessante de se manipular um grupo.

Primeiro, você desqualifica tudo o que está sendo conversado pelo grupo. Coloca tudo num mesmo pacote de inconsequências. E depois, você insere o seu bordão, como se fosse o único assunto digno de ser conversado. Provavelmente o assunto anterior de incomoda de alguma maneira. Te tira do sério. Isso é assunto seu, de mais ninguém. Mas é insuportável lidar com isso. Você começa a achar que as pessoas deveriam estar falando de outra coisa. Do seu problema. Daquilo que te interessa.

Então você prepara a sua voadora com os dois pés e entra de sola.

Legal.

No pior dos casos, você consegue trazer o assunto à tona e as pessoas até se comprometem com a sua causa. Você é genial! Delega tarefas, decide pelos outros o que cada um vai fazer, estabelece prazos, faz suas promessas. O tempo passa e ninguém faz nada. Nem você.

Uma pessoa sai, a outra inventa uma desculpa. Você decide que a coisa vai sair de qualquer maneira e toca tudo sozinho, numa espécie de martírio. Quer mostrar que não precisa da ajuda de ninguém. Que você dá conta da coisa. Vai ficar um pouco mal feito, mas você fez tudo sozinho. Você fica rude com as pessoas, ainda mais. As pessoas não estão fazendo aquilo que você esperava que elas estivessem fazendo. Estão regulando.

Então a coisa não dá certo. Você culpa o cosmos, os outros, a puta que o pariu.

Mas hoje não foi assim que aconteceu com você.

Você falou, usou sua técnica, foi rude com as pessoas e ninguém deu a mínima. Ou melhor, ninguém te autorizou a isso.

As pessoas continuaram com a sua conversa, que estava sendo muito mais útil para elas. Você ficou remoendo, achando que ninguém quer nada com nada, mas as pessoas só não queriam nada com a sua ditadura.

Essa anarquia é o inferno do ditador que você é.