Analógico

Eu descolei um iPhone 4S só para perceber o quanto estou me tornando analógico. O velho macbook branco ficando no canto da sala, fechado, cada vez mais tempo.

É complicado enxergar as postagens na timeline do iPhone. Isso faz com que eu passe menos tempo olhando o que meus amigos e conhecidos têm a dizer sobre aquilo que passou na TV ou na timeline. Só uso o iPhone com Wifi, porque não pretendo assinar esses pacotes de internet que as operadoras apresentam. Fico imaginando essa timeline de Facebook, que parece os jornais de Harry Potter, baixando vídeos a cada rolagem e os pacotes de download indo para o saco, enquanto eu permaneço distraído.

Gosto da agilidade do aparelho. E do tamanho. Tiro do bolso, abro um browser, pesquiso alguma coisa e fecho. Pronto. Tiro umas fotos e subo em algum lugar. Procuro um endereço para fazer qualquer coisa.

Eu mexo com essas máquinas desde que eu tinha 11 anos e a minha opinião é a de que elas foram ficando cada vez mais interessantes até se tornarem desinteressantes. É quase como se eu estivesse vendo acontecer com o meu uso de computadores o mesmo que já aconteceu com meu uso de televisão.

Passo boa parte do dia fazendo coisas manuais. Escrevendo minha pesquisa numa das mil cadernetas que eu tenho aqui em casa. Desenho, cuido da horta, dou pito na molecada, durmo, escrevo, leio livros impressos…

A máquina fica para essas horas em que eu não quero fazer nada.

Houve um tempo que essa máquina significava trabalho. Eu me sentava aqui e explorava a máquina aprendendo algum software desafiador. Foi assim que eu fui aprendendo a editar imagens, diagramar, editar audio e vídeo, modelar objetos 3D, programar…

Depois virou um depositório de informações que eu podia acessar. Livros, músicas, quadrinhos, filmes, etc…

Com o tempo eu fui descobrindo esses mini computadores, a tal “internet das coisas”. Aprendi Arduíno, Beaglebone e finalmente o Raspberry Pi. Então montei essa maquininha que faz download automatizado dos filmes e séries que eu quero ver. Reduzi meu plano de TV à cabo, aumentei a velocidade da internet, pluguei a máquina na minha TV (com tubo ainda!) e então esqueço que essa máquina é um computador.

Parece que eu estou vivendo em 1984. Antes de começar meu interesse por essas máquinas.

Eu era esse moleque que construía coisas, brincava, e desenhava.

Totalmente analógico.

 

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