Sobre direção

Eu fico pensando em como criar esse espaço necessário para que o ator se divirta com aquilo que está fazendo. Em limar todas as coisas que vão impedindo que ele chegue neste estado, quer estas coisas estejam fora do ator (se for possível), quer estejam dentro dele(se for possível).

Chego no ensaio e olho para as figuras ali na minha frente e fico matutando como vai ser o nosso trabalho de escavação e desnudamento.

Tem uns diretores que acham que humilhar o elenco vai fazer com que eles obedeçam. E que obediência é a única maneira de extrair algo do ator… Não é o meu caso.

Minha abordagem é: “vamos brincar disso agora?”

Dona Neide é a mulher do Capeta!

Tá sendo muito bacana a repercussão do Websódio “O que que é isso?”, trabalho que fiz com o pessoal da O2 para a Locaweb.
Essa semana fui para o ensaio da segunda temporada e tive um retorno do Rodrigo Meirelles sobre as estatísticas de acesso e outras coisas. A galera tem me dado um retorno muito legal sobre o meu trabalho como o Cabeça no seriado. No Youtube, a maioria dos comentários das pessoas tem sido as pérolas do Cabeça.

A gente foi muito bem “briefado” nesse trampo. O roteiro do Thiago Dottori, Nina Crintsz e Adriana Falcão (A grande família) já é duca! Mas o briefing que o pessoal passou para gente dá muito material para a gente improvisar e aí, meu amigo, é só falar merda e esperar para ver o que acontece. O paraíso para um comediante. Daí brotam coisas como “Dona Neide é a mulher do Capeta!” e outros bichos que devem aparecer até o oitavo episódio da primeira temporada.

Ontem eu fui na LOUD, que é a produtora de audio que fez o seriado. Eu e o Felipe fizemos umas gravações que vão ser usadas na segunda temporada, num episódio em que o Cabeça se dá bem. A gente passou a tarde rachando o bico. Ser comediante é bom demais!!! É tudo o que eu mais amo nessa vida.

Amanhã a gente começa a gravar a segunda. Na primeira temporada eu fiquei tão surpreso de ter sido chamado para fazer (isso porque é o meu primeiro trabalho numa produtora grande) que nem consegui escrever nada a respeito aqui no Blog. Vamos ver se rola escrever algo na segunda e publicar alguma coisa de making-off (se bem que isso deve ser meio top-secret).

Sorrisinho

Ele ficava ali sorrindo pra mim e me dando tapinhas nos ombros.
Parece boa gente. Parece que está feliz de a gente estar ali. Parece que não vê a hora de estarmos juntos nisso…

Parece.

O fato é que o que eu não vejo é o que está falando mais forte.

Tem alguma coisa errada com esse sorrisinho. Alguma coisa não-dita.

Não é algo que eu esteja vendo.

O que está em jogo para este sujeito?

Episódio 2

O que é que é isso? Episódio 01

Primeiro websódio do seriado “O que é que é isso” que eu faço como ator, no papel do Cabeça. Foi um dos trampos mais divertidos de se fazer. Saudades da galera do elenco e equipe técnica da O2.

Fotos da viagem a Punta Cana

República Dominicana

Aí está o link para o Album das minhas fotos de turista em Punta Cana, na República Dominicana. São coisas do Resort onde passamos a semana fazendo o trampo como mestres de cerimônia para um evento da Intel na américa Latina. As fotos do trampo ainda não estão aí.

O país dos empregados

Cheguei no teu país e encontrei o melhor lugar para ficar. Ergui um muro em torno dele, te coloquei numa guarita e chamei tua gente para construir um sonho. Paguei pouco por isso, mas prometi melhores condições de vida. Empreguei tua gente no meu sonho e convidei meus amigos para investir nisso.

Tua gente hoje nos serve sorrindo e invisíveis.

Para os amigos Javier, Fernando, Luz Maria, Alex, Sotero e a rapaziada da banda do mestre cuca maluco. Turistas em sua própria terra.

http://turistaenmitierra.blogspot.com/

Videobook

Aqui, alguns dos meus trabalhos em teatro e vídeo.

Campo de Visão

As pessoas ficam dispostas nos lados de um território e não devem se encarar. Devem buscar o vazio que pode ser encontrado entre uma pessoa e outra e nessa situação é preciso se manter pronto, à espera de algo. Esse é o ponto zero, aquele em que se está preparado para entrar em cena.

Há uma regra: em um momento será escolhido aquele que irá liderar o grupo num curto espaço de tempo. Todos os outros devem se colocar na mesma direção do lider e acompanhar todos os movimentos por ele propostos sem que se olhe diretamente para ele. É preciso que o líder esteja nessa área chamada “campo de visão”. O movimento só será iniciado quando houver outro movimento no campo de visão. Enquanto não vemos nada, não nos movemos.

Então voltemos ao ponto zero. Ali ficamos, aguardando, com toda a energia preparada para ser empregada. Não é um estado de descanso, de descaso. Num sinal devemos nos mover, fazendo a escolha de apenas um gesto expressivo. Este deve estar imbuído do estado poético, daquele em que imagina lugares possíveis e outros sentires.

Dali se pode evoluir para outras escolhas, sempre dialogando com outros estímulos, ora fornecidos pela música ambiente, ora oferecidos pelos parceiros de jogo, ou por aquele que orienta o jogo.

Então se escolhe o líder.

Liderando, me ocupa que todos estejam participando. Meu movimento não pode ser mais tão ensimesmado. Há uma preocupação em que os outros entendam o que eu proponho, para que o fluxo do jogo não seja interrompido. Se pode brincar com essa responsabilidade, mas não se pode negá-la, sob a pena de não liderar ninguém, porque ninguém compreeende o que se deve fazer.

Liderado devo assimilar o que está sendo proposto e tornar aquilo meu. Acompanho o outro porque aquele movimento proposto me permite ampliar o meu repertório corporal. Acompanho porque me sinto integrado ao todo, ainda sendo eu mesmo.

Furtos

Eu me mudei para cá por causa do silêncio e da possibilidade de chegar logo ao local de trabalho. Gostava de sair na rua e aproveitar o silêncio. Me orgulhava de um horizonte possível e de poder encontrar as pessoas na rua e conversar.

Se foram apenas três anos e as empreiteiras me roubaram o silêncio, o horizonte e a vizinhança.

Outro dia o sindicato da construção civil veio fazer um protesto e uma convocatória aos funcionários da obra da esquina. Às seis da manhã! Começaram o discurso pedindo desculpas da vizinhança (de minha parte aceitas) e dando os informes gerais de a quantas anda a exploração do trabalhador da construção civil. E se seguiram três discursos emocionados e as ovações habituais. Assim mesmo, bem cedinho…

Voltei do trabalho numa tarde e percebi que os carros que haviam estacionado em frente à obra estavam todos da mesma cor: cinza cimento. A obra tinha impregnado todos os carros com o cimento, sem que houvesse um aviso sequer dessa possibilidade. Me lembrei da minha vizinhança em Quitaúna, quando a gente chutava a bola de capotão suja de esgoto nos carros e paredes dos vizinhos e ouvíamos dos nossos pais que o certo era que a gente lavasse e deixasse as coisas como estavam antes da nossa brincadeira.

Bem, a Cyrella não mandou lavar os carros dos vizinhos. Tampouco a Abyara ou a Tecnisa.

Me perguntam “Qual a minha idéia de paraíso”, me oferecendo apartamentos caríssimos de três ou quatro dormitórios, aqui na esquina da minha casa. Bom, minha idéia de paraíso era o que eu tinha antes deles chegarem aqui.

Agora, se eu quiser o silêncio vou ter que esperar que eles destruam os outros quarteirões do bairro e terminem de construir suas torres. Se eu quiser meu horizonte, vou ter que comprar o apartamento que eles vendem, e minha vizinhança está sendo substituída gradativamente pelos habitantes anônimos e assustados dos condomínios de alto padrão, em seus automóveis blindados e com vidro fumê.

Qualidade de vida é para quem pode comprar.