Dia 7

Acordei no sétimo dia, me dando conta do tempo.

Sete dias. Uma semana. No meio do vazio.
Tudo o que eu mais queria na vida.
Me livrar da companhia de qualquer outra coisa. Saber o que eu era, pela exclusão das demais coisas.
No deserto, o que não era o nada era o eu.
Calculava eu, matematicamente.
Sete dias e ontem a fome começou a ser mais uma companhia insuportável, como tinham sido o sol, a areia, o cacto…
O cacto.
Sempre o maldito cacto e sua inocência.
O cacto morto, que me assombrava a consciência. Desde o cacto eu tinha me tornado mais agradável às minhas companhias imprevistas.
Quantos dias eu vou ficar aqui?
Perguntei-me, de repente como que para afastar da cabeça a imagem do cacto.
Quanto tempo eu vou agüentar?
Parecia ser a real pergunta.
Como se a morte do cacto trouxesse a mensagem da minha própria duração.
Como se a fome e o vazio estivessem cavando a minha sepultura.

Um deserto – dia 6

O sexto dia surgiu no meio da minha retirada estratégica, me pegando de surpresa.

Vai assustar a puta que te pariu! Disse eu, desconfiado deste novo dia, assim como estivera de todos os demais.
Continuei andando, ignorando a existência do dia, fingindo que ele e a noite eram para mim a mesma coisa.
Dia, noite, sol e lua… Fodam-se! Para mim vocês são todos os mesmos. E andava e andava, tentando em vão deixar para trás as indesejáveis companhias.
Por fim, cansei-me uma vez mais.
A barriga vazia. A boca seca.
A pergunta de “onde eu estava”, se fazendo cada vez mais presente.
No sexto dia eu me tornava contemplativo, através da fome. Queria subitamente compreender o deserto em todos os seus detalhes. Saber onde aquela massa de areia e sol escondia qualquer coisa.
Tinha vindo ao deserto porque queria o vazio.
Agora que eu tinha o vazio dentro de mim, buscava alguma coisa.
Foda-se, eu me viro! Disse eu, com a última gota de orgulho levando mais um dia para evaporar.
Qualquer ponto do deserto era a mesma coisa.
Faminto, as direções começam a ficar mais calculadas.
Sem rumo, encerrei o meu sexto dia.

Pequeno currículo das essências

Teatro nasceu tarde. depois de uma enxaqueca.

Desde os doze anos elas me tomavam de assalto, sem razão aparente, e me obscureciam o campo de visão. Estreitavam, tornavam turvo. Estômago embrulhado, intestino fermentando, topo da cabeça doendo, cegueira parcial. Deitava na cama, com a cabeça doendo e ficava o dia inteiro no escuro. Minha mãe fazendo compressa com pano embebido em álcool. Daí passava sozinha.

Eu ficava meses sem ter nada disso, mas quando ela estava se aproximando eu sabia. Já me preparava para o baque. O enjôo vinha primeiro e depois um pontinho luminoso na frente dos olhos, que ia aumentando para fora, seguindo o raio do olho. A dor de cabeça vinha no final de tudo.

Naquele tempo eu já falava muito em fé, porque tinha sido curado da febre reumática por homeopatia, um monte de bolinhas brancas e doces e um médico engraçado e muito grande. Não tinha sido uma cirurgia, ou injeção, ou comprimido. Doce. E bons conselhos e fé na cura. E eu estava vivo.

Mais tarde eu fiz eletrônica, porque já sabia como comandar um computador mas não entendia como ele funcionava por dentro. Gostava de saber disso, de como as coisas funcionam por dentro, talvez para entender como eu mesmo funcionava por dentro. Me meti a aprender isso e logo as enxaquecas recomeçaram mais fortes. O tempo entre elas diminuía. Mas a dor de cabeça já não era tão grande. O enjôo era o pior.

Eu olhava em volta e parecia estar fazendo tudo certo, quero dizer, tinha estudado, passado num mini vestibular, o curso era gratuito e eu tinha sérias possibilidades de estar empregado no final. Mas eu desenhava e desenhava. Terminava de fazer as infinitas contas, os senos e os cossenos, as matrizes, os xis… E desenhava. Desenhava no meio das contas, no final do caderno, na mesa, na capa dos livros.

Ela passou pela minha mesa e viu meu desenho. Eu tentei esconder a tempo mas não consegui. Ela que até aquele dia era só uma bunda me perguntou o que eu estava fazendo ali, no meio daquela gente. Me disse que eu era um artista e que eu podia estar em outra situação, que não precisava seguir aquela trilha. Me disse que tinha uma escola da prefeitura que dava cursos gratuitos de desenho e que eu poderia me especializar.

Segui a bunda e comecei a aprender a desenhar. Em quatro semanas eu terminei o módulo de um ano. O professor veio conversar comigo e disse que eu deveria ir para o módulo dois. Eu perguntei o que a gente ia aprender. Ele me disse que eu ia aprender a pintar. Eu fiquei pensando se eu tinha paciência para passar uma tarde pintando… Enquanto eu pensava apareceu um velho e colocou a mão no meu ombro. Achei que era meio bicha.

O velho foi falando que era professor de teatro na prefeitura e que o curso estava encerrando as inscrições naquela semana e que se a gente quisesse poderia se inscrever. Eu perguntei se era de graça e ele disse que sim. Pensei, vou falar para a Denise, que é minha irmã e ela vai querer fazer, porque já tinha me perguntado.

Sai do curso de desenho quase pensando em desistir de passar as minhas tardes pintando. Ia ter que comprar tintas e pintar cavalos durante meses. Falei a novidade para a Denise e ela me chamou para ir junto com ela na aula de teatro. Falei, vou, mas não vou fazer, vou ficar só olhando e dando risadas. Na sexta-feira fomos nós três, eu a Denise e a Dayse e mais uns amigos da rua. Daí que eu só fiquei no teatro.

Lá eu conheci uma menina que era linda e só ganhava concurso de miss simpatia, porque estava um pouco acima do peso. Ela era muito engraçada e era tão deliciosa que eu nunca podia imaginar que a gente seria namorado durante nove meses e eu nunca conseguiria transar com ela. Logo logo por liderança minha e mediocridade da produção teatral Osasquense eu me tornei um dos bons atores da cidade. Ali eu me dei conta, tristemente, que a liderança resolveria 90% dos meus problemas e criaria 100% deles.

Descobri César Vieira no livro, e o teatro União e Olho Vivo. Também achei Boal e detestava o Stanislavski, porque achava o livro uma merda. Li o Ponto de Mutação, do Fritjoff Capra e o Yoga para Nervosos, do Hermógenes. Comecei a ter umas experiências muito estranhas quando fazia os relaxamentos. Umas compreensões estranhas e a sensação de que me independizava de meu corpo.

A gente se tocava, podia se jogar que o outro segurava. Rolávamos no chão uns por cima dos outros e conversávamos sobre qualquer coisa possível. Nos víamos quase todos os dias, ou porque resolvíamos ensaiar, ou porque queríamos nos ver. Escrevíamos cartas uns aos outros com coisas lindas, porque estávamos todos apaixonados uns pelos outros e por nós mesmos.

Fiquei tão cego pelo que descobri ali que achava que o velho não estava fazendo nada. E ainda tinha vezes que eu sentia que as pessoas poderiam ir mais longe ainda, só que ele não via. No grupo, quando a gente ensaiava sozinho, conversávamos sobre a ausência de critério do velho e dizíamos que a peça éramos nós quem estávamos fazendo, sem direção nenhuma. Daí quando ele resolveu tirar um dos atores do elenco faltando uma semana para a estréia, nós que estávamos fazendo tudo sozinhos resolvemos opinar. O velho nos pediu para escolher entre o ator ou ele e eu sugeri que nós votássemos. O velho perdeu e eu perdi tudo…

A menina linda foi embora, porque na votação ficou em cima do muro e depois ficou ao lado do velho. Me torturava com os comentários das outras pessoas sobre a minha traição e eu ficava atrás dela obssessivamente, porque tinha ficado com ela nove meses e me perguntava todos os dias o que é que ela tinha visto num sujeito como eu. Busquei o perdão de todos, mas só consegui me reconciliar com a situação cinco anos mais tarde, depois de muita análise.

Deixei o teatro de lado e fui trabalhar consertando computadores. Tinha cansado da brincadeira e estava ferido demais para continuar. Mas estava irremediavelmente tocado pelo Teatro e logo optei por fazer faculdade de artes cênicas, depois de um vestibular para engenharia perdido e outro para psicologia. Meu velho cortou a verba e eu pagava o cursinho com o salário inteiro que recebia da assistência técnica.

Naquele ano os donos do cursinho resolveram criar umas atividades para desestressar os alunos e incluíram o teatro no pacote. Eu era o único sujeito que estava fazendo cursinho para prestar artes cênicas, porque meu curso de eletrônica era tão fraco que eu não entendia nada de história, química ou biologia. Lá formamos um outro grupo, e eu estava um pouco mais distante. Não queria me apaixonar por aquelas pessoas e estava com um pouco de vergonha de ainda querer fazer teatro.

Ali aprendi Teatro do Absurdo, Ionesco, Brecht, Peter Weiss, a beber muito e a fumar maconha. Aprendi a pegar as meninas quando estava bêbado mas ainda assim não consegui trepar com ninguém, embora eu tivesse muitas oportunidades.

Entrei na USP carregando um pacote maluco: fazia teatro no cursinho, trabalhava no Bradesco e cursava 14 créditos pelas manhãs todos os dias. No fundo eu tinha medo que não desse certo fazendo teatro e que aquilo acontecesse tudo outra vez. Eu não podia me apaixonar pelas pessoas. Precisava manter uma reserva segura. A classe estava dividida em dois grupos: uma moçada recém saída dos melhores colégios e uma rapaziada mais velha, que tinha vindo de outra área. Eu olhava aquilo e pensava que a banca do vestibular estava fazendo alguma experiência macabra.

Tinha 21 anos, um coração partido, nunca tinha trepado na vida, o corpo todo torto e condicionado pela minha relação com os computadores. Resolvi ler um clássico de cada autor. Descobri Kafka, Dostoievsky, Nietszche. Descobri Reich alucinadamente. Li tudo o que podia. Comecei a fazer análise para entender de onde vinha o meu constrangimento com as mulheres. Estava num grupo de velhos ranzinzas de 30 e poucos anos e menininhas de 18 anos deliciosas que eu nunca comeria. Fazia quatro matérias por semana e me cansei disso.

Fui até a diretora da Escola do Bradesco e disse que gostaria de diminuir meu salário e trabalhar menos. Ela me disse que o Banco não tinha esse cargo. Eu disse que então eu queria que eles me demitissem. Ela me disse que se eles me demitissem eu não poderia trabalhar em nada relacionado ao Banco. Então eu pedi demissão e perdi minha indenização e FGTS, por medo de que o Teatro não desse certo e eu tivesse que voltar.

No outro ano eu me apaixonei de novo por aquela gente toda. Arthur, Glaucia, Paulina, Ana, Paula, Roberta, Nilson, Tony, André, Valtinho, Paula, Zédu, Kelly (que depois eu odiei)… Achei o Teatro de novo e mergulhei de cabeça, sem um puto no bolso. Aí eu conheci outro velho que eu não entendia.

Entrava na sala e se sentava no chão. A gente fazia uma roda, e depois a aula virava outra coisa, que coisa era aquela? O que tem que fazer? Ele não vai falar? Que coisa de caminho é esse? Homem para o ator? Existe isso? O ator não é o homem? Eu não gostava daquela idéia de que o artista era algo mais que o homem comum, porque na hora de pagar as contas o homem comum se vira muito melhor. Eu tinha medo disso. Tinha medo de avançar e de recuar.

O velho me deu as perguntas que nunca mais me abandonaram.

Conheci o mímico também. E com a mímica, conheci meu corpo de outro jeito. Eu podia ser um engenheiro da minha postura. E fui me corrigindo, me flexibilizando, me liberando.

Ela me achou então. Era uma predadora de sujeitos como eu. Era uma ratoeira, toda intelectual, toda articulada. E deliciosa também. Me pegou lendo um texto meu, sentada em cima de uma mesa com as pernas abertas. Cada vírgula era malícia. Me ensinou filosofia e a trepar alucinado. Passei a ter sexo. Fui me enfiando no teatro e nela com a mesma intensidade. Me descobri multi-artista, passei a freqüentar as artes plásticas e ela o Teatro. Nos misturamos tanto e muito e muitas vezes. Até que nos cansamos um do outro.

Quando acabamos um com o outro eu tinha mudado. Sabia o que queria, mas não sabia como.

Fiquei num grupo que não era o meu e depois em outro e outro. Achei parceiros, amigos e uma esposa.

Fui num ensaio de um amigo e ela estava lá. Eu achava que já tinha visto ela em algum lugar, mas não sabia onde. E essa sensação me acompanha até hoje. Tava legal ficar sozinho, sem namorar ninguém. Além dela tinha uma japonesa com uma boca linda, que eu ficava tentando comer e que nunca dava certo.

A gente foi comer um dogão na porta da USP e ela começou a me cantar, daquele seu jeito mineiro. Quando percebemos eu estava apaixonado e tinha que dizer isso.

Bebíamos, conversávamos sobre o mundo, sobre o ser humano, sobre o futuro da humanidade. A gente ia sacando uma conexão muito louca e nunca nos lembramos de onde nos conhecíamos. Ela falava, eu já te conhecia das peças mas a gente nunca conversou. E eu duvidava disso.

Fomos fazendo as coisas do nosso jeito, sempre através dessa sintonia. Criamos uma cerimônia de casamento, que virava uma festa, que as pessoas nunca se esquecem. Criamos um lar e uma família.

Mas eu ainda não conseguia pagar as contas fazendo o meu trabalho.

Ela estava com a barriga imensa e o berço tinha chegado uns dias. Saiu para resolver umas coisas e me disse que quando chegasse me ajudaria a montar o berço dele. Quando ela fechou a porta eu rasguei a caixa e comecei a montar a coisa toda. Parafuso após parafuso eu fui materializando o espaço daquele futuro hóspede. Quando o berço estava de pé eu tinha me dado conta que era pai.

Claudia chegou e me encontrou chorando, emotivo. O berço tinha me arrebentado por dentro, assim como faria a frase do Garcia Marquez que eu li em algum lugar que dizia algo como “o menino pega o dedo de seu pai e daquele momento em diante o tem cativo para sempre”.

Ele saiu aqui na minha sala e eu vi seu primeiro olhar, indagativo em relação ao mundo. Não chorava. Quem chorava era eu. Cortei seu cordão e o peguei no colo. Não era meu, era ele, assim como se dava com a Claudia.

Algo mudou em mim por dentro. As dúvidas não diminuíram, mas eu resolvi tomar atitude frente à vida. A vida agora não era só minha. Eu tinha entendido que estamos aqui uns pelos outros.

Indicações 2008

Recebi duas indicações para o prêmio de melhor ator coadjuvante, pelo trabalho realizado em “O rei dos urubus”, da Cia dos Gansos. A primeira indicação foi no 32º FESTE, em Pindamonhangaba. A segunda foi agora, no 3º FENTEPIRA, em Piracicaba.

Aqui vai um agradecimento ao pessoal da Cia, ao Lazzaratto e aos jurados todos.

Manifesto automático

Pra dizer que me lembro de você, criei um robô que te beijará todos os dias e te dirá o quanto você é importante na minha vida.

Meu robô tratara a todos como rei.

Me representará, sem que eu me comprometa.

Dirá a você: “Me lembrei de você. Você se lembra de mim?”.

E eu não precisarei vencer meus medos e resistências, nem a sua rejeição.

Ficaremos assim, nesse terreno seguro.

Nos amando, artificialmente, através de recados automáticos.

Quem matou Gonzaga – Episódio Final

Em terapia

Funk do Cabeça – Como foi feito

Funk do Cabeça

Método de trabalho para Jogos Teatrais

O trabalho realizado com as turmas de ambos os períodos é exatamente o mesmo, com resultados distintos em função das distinções entre os grupos. De uma maneira genérica, a turma matutina é mais tranqüila e mais madura que a do período vespertino, mas isso não implicou numa diferença de apreensão do conteúdo.

Desde o ano passado, costumamos dividir o curso de Jogos em dois periodos: as quatro primeira aulas são destinadas a trazer a teatralidade a partir da experiência cotidiana, com jogos mais simples de exposição e trabalho com a imagem de si (a imagem que cada pessoa acredita que os outros vêem dela); as quatro últimas são destinadas a uma introdução à linguagem teatral, às noções de comunicação clara e expressividade. Chamamos o primeiro bloco de “O teatro no mundo” e o segundo de “O mundo do teatro”.

Além dessa abordagem introdutória, buscamos uma melhor compreensão de cada aluno e de suas dificuldades em relacionar-se com o conjunto. Isso porque os trabalhos são sempre em grupo e as atitudes de cada um em relação ao coletivo vão ficando cada vez mais evidentes.

Por isso, em cada trabalho, além dos comentários sobre a execução da proposta e as dificuldades em cada um deles, também comentávamos sobre as posturas de relacionamento em grupo, tratando de questões como engajamento, comprometimento, responsabilidade e trabalho em equipe.

Iniciamos a segunda etapa do trabalho com a noção de conflito, como algo que é a expressão da diversidade. Isso nos ajudou a elucidar posicionamentos nos grupos que favoreciam ou impediam a execução de um projeto comum. Falamos sobre como a falta de comunicação direta gera o acúmulo de tensões que acabam sendo descarregadas num momento de conflito. Por isso associamos conflito à violência. No entanto, isso não precisa acontecer desta maneira.

Como na segunda etapa muitos dos exercícios consistem na criação e apresentação de uma cena de um pequeno grupo para o grupo maior da sala, e a matéria do trabalho era o conflito, ficava mais fácil revelar estes posicionamentos na feitura do trabalho e depois na apresentação do mesmo. Problemas de relacionamento, autoritarismo, passividade, omissão e outras dificuldades de grupo ficam muito evidentes quando as cenas são apresentadas.

Evidentemente a metodologia conta com um outro aparato, mais simples, no entanto de grande valia: nos primeiros encontros, nas rodas de apresentação, sempre pedimos que os alunos digam seu nome, de onde vêm, o que pretendem fazer. Isso pouco a pouco nos ajuda a saber quem é quem, pelo nome. E nos impede de tratá-los como uma massa disforme de intenções confusas. Esse olhar nos possibilita compreender melhor as dificuldades individuais e nos habilita a colocar cada um em situação de superar as suas limitações.

Na nossa compreensão, disciplina não significa controle comportamental. Significa posicionamento claro frente ao grupo e comunicação aberta e não-violenta sobre todo e qualquer problema. Significa consenso nas prioridades.