Micmacs – Filme novo do Jean-Pierre Jeunet

Autômato Sisífo

Cada um dos três movimentos é controlado por uma engrenagem com um número primo de dentes (23, 43, 59). Técnicamente, isso significa que o boneco vai ter a mesma expressão a cada 58.351 voltas da manivela. Para quem assiste, isso traz uma sensação de vida, porque os movimentos do boneco não são repetitivos como os de uma máquina. Ou pelo menos, não conseguimos notar isso em pouco tempo. O cara também criou um gatilho para o movimento da cabeça que é quase aleatório e acaba expressando bem o cansaço.

Legal mesmo!

Post completo em: http://blog.makezine.com/archive/2010/04/sisyphean_automaton.html

Galeria de como foi feito no Flicker

Companhia

Em outra escuridão ou na mesma, um outro, criando tudo pela companhia. Isso, à primeira vista, parece claro. Mas, à medida em que os olhos se detêm, vai ficando obscuro. Na verdade quanto mais os olhos se detêm mais obscuro fica. Até que os olhos se fecham e, livre da observação atente, a mente indaga, Que significa isso? Que, afinal, significa isso, que parecia claro à primeira vista? Até que a mente também dá a impressão de se fechar. Como se fecharia a janela de um quarto escuro e vazio. A única janela que dá para a escuridão exterior. Depois, nada mais. Não. Infelizmente, não. Restam ainda os tênues lampejos de luz, e a agitação. Incessante

(Samuel Beckett)

Sarampo

Hoje, no trem, eu fui encontrado por um sujeito com deficiência nas duas pernas, motivada, segundo ele, por um sarampo.

Ele começou pedindo a todos que vacinassem as suas crianças amanhã e prosseguiu o seu discurso, extremamente bem articulado, falando dos remédios e das dores, o de sempre, mas de forma tão coesa e tão convincente que a recepção foi geral. Muita gente lhe deu dinheiro!

Ao receber as moedas ele incentivava o passageiro: “Isso, minha tia! Muito obrigado!”

Encerrou seu discurso com uma reafirmação de sua preocupação com a vacina e saiu do vagão deixando todos satisfeitos!

Genial!

A Cigarra e a Formiga

Nem a cigarra nem a formiga estavam trabalhando quando o escritor resolveu usar a pena retratá-las na fábula. Os insetos meramente desempenhavam suas atividades naturais e não esperavam receber ordenado algum no final do mês. Nem aplauso, nem dinheiro, nem reconhecimento. Nada.

O Humor

Ontem eu presenciei um fato que me fez pensar na importância do humor frente aos fatos. Estava particularmente reflexivo, atormentado por intensos conflitos filosóficos enquanto lia um livro do Dalai Lama. Pensava na minha vida, nos rumos que ela tomou, em quais tem sido as minhas verdadeiras prioridades… Enfim, eu era um pouco Hamlet.

Enquanto isso, ao meu lado, estavam quatro seguranças patrimoniais, numa brincadeira de disputa e tiração de sarro. Cada hora um simulava ser o chefe do outro e lhe dava uma ordem sempre absurda e ofensiva. E eles prosseguiam nesse jogo, alheios a toda hierarquia, todo protocolo, toda burocracia da função. Brincavam como crianças, usando ternos de adultos. O jogo culminou com um lance em que um dos seguranças molhou o outro com um borrifador de água. O outro, por sua vez, tomou o borrifador, abriu a tampa e jogou a água em grande quantidade no primeiro. Se ofenderam mutuamente e, para não brigarem, terminaram o jogo.

Em algum momento as duas cenas se tocaram, a minha e a dos seguranças, do contrário este texto não teria sido escrito. As interferências mútuas, no entanto, poderiam não ter se limitado às nossas observações. Nesse jogo me cabia o papel de espectador, mas e se o jogo se dirigisse a mim? E se eu, o aristocrata da situação, me visse envolvido naquela disputa de alguma maneira? Se aquilo me dissesse respeito? Se aquele entretenimento sem função pudesse alterar profundamente o rumo da história em que sou protagonista? Não teríamos, neste caso, “uma cena dos coveiros” de Hamlet? Ou um dos episódios em que Trínculo, Estéfano e Caliban tramam contra Próspero?

Por entendermos que há algo de muito importante em jogo é que essas cenas são indispensáveis. A qualquer momento, apesar de toda pompa, de toda magnificência e de toda filosofia, três idiotas podem assassinar Próspero. Essa cena acrescenta humor e a sensação de perigo banal, diferente da conspiração tramada por Antônio e os nobres, que fica no plano das idéias.

Anciões

Porque você acha que devemos nos sentar e esperar o fim?

Será que não entende que quanto mais tivermos vida, mais estaremos contribuindo para que o medo acabe?

Se morrermos agora, as gerações futuras entenderão que o nosso tempo é o tempo do fim, e passarão a evitar que ele chegue.
Com isso passarão a viver nos limiares do fim, acreditando que lhes resta apenas sentar e esperar que chegue. E assim, terminarão antes de nós. E as gerações que lhes sucederem passarão acreditar que o tempo do fim é aquele, daqueles que se foram.
Se essa estranha crença se mantiver no tempo, as gerações futuras terminarão cada vez antes, até que surgirão os natimortos e a vida terá cessado antes do seu início.

Por isso devemos viver mais.
Devemos levar o fim sempre adiante, para que as gerações futuras saibam, no fim, que o que vale é ter vivido.

Memória antiga

Dois ou três anos de idade. Estou na frente da minha casa, brincando com alguma coisa e subitamente me ocorre a idéia de subir na caixa de cimento que protege o registro de água da casa. Subo e fico de frente para o muro. A manobra de virar para o outro lado é particularmente difícil e me dá muito medo.
Quando concluo o giro e olho para baixo, minhas pernas amolecem e eu não posso mais descer. É muito alto para eu pular. Chamo a minha mãe e ela não escuta. Chamo-a novamente e nada. Um nó se forma na garganta e os olhos ardem.
Então acontece o inexplicável. O nada, uma não-pessoa, algo sem materialidade me suspende, apoiando as mãos sobre as minhas axilas e me coloca no chão. Não se trata de alguém cuja imagem desaparecerá no tempo em que for preciso eu me lembrar dela. A imagem do meu salvador simplesmente não existe em sua origem.
Esse fato não me provoca medo.
Somente a sensação de que algo estranho aconteceu.

Canhão Vortex

Aqui um jeito muito legal de se gerar anéis de fumaça.

Gambiarras

Tô adicionando essa categoria nova aqui no blog, porque eu estou retomando esse meu lado MAD SCIENTIST ultimamente. Dois moleques em casa e eu comecei a me lembrar do tempo em que eu construia meus próprios brinquedos. Comprei alguns livros bacanas para me ajudar nessa nova empreita: “1800 Mechanical Movements – Devices and Appliances”, de Gardner D. Hiscox; “507 Mechanical Movements – Mechanisms and Devices”, do Henry T. Brown e finalmente “Basic machines and how they work”, material preparado para o treinamento dos marinheiros americanos.

Acho muita falta de brinquedos que ajudem a molecada a montar máquinas simples, a entender como essas coisas funcionam. Tava pensando em montar um kit com algumas estruturas, engrenagens, polias, pistões, roldanas, alavancas, etc… um lego mecânico de madeira ou sucata. Esses dias eu entrei numa loja de brinquedos no shopping butantã e descobri que minha idéia existe, mas custa R$ 300,00. Chama-se MODELIX.

Ainda estou devendo mil coisas da obra da casa e por isso não vou comprar a coisa agora. Por enquanto, estou construindo algumas engrenagens de madeira para montar uns autômatos. Estou viajando com uma idéia de retomar um trabalho do meu avô paterno com as suas engenhocas e um espetáculo para crianças. Vamos ver…