Agora mesmo…

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Será que dá para consertar meu…

Vou botar nesse post uma lista dos sites que eu visito quase todo dia, para aprender a arrumar tralhas que os parentes me descolam…

I FIXIT – http://www.ifixit.com/ – O cara que fez esse site tinha uma assistência técnica da Apple e resolveu criar uma Wikipedia com manuais de reparo de diversos aparelhos. Não sei se você sabe que esses manuais de reparo são segredos industriais que as empresas só liberam para quem faz o curso de manutenção do equipamento deles. Se você não fez o curso e a sua coisinha quebrou, ou você manda alguém que fez o curso consertar, ou já era! Joga fora!

Instructables – http://www.instructables.com/ – Se você está curtindo essa seçãozinha do meu blog, melhor conferir o que esse pessoal faz. Tem de tudo lá: receita de bolo, trabalho de pedreiro, coisas de marceneiro. Tudo o que você imaginar de “Faça você mesmo”. Lindo demais!

Make Magazine – http://makezine.com/ – Os negos do instructables sempre postam dicas desse site e vice versa…

Comecei a estudar uma coisa chamada ARDUINO, que é uma plataforma de Hardware livre. Uma plaquetinha que dá para você fazer um monte de coisas com ela. Dai uma parada nos estudos porque a oficina está zoada, mas vale a pena ver.

Não jogue fora suas coisas velhas

Aparelho de som Greynolds, que meu velho comprou em 1979. Recuperei o bicho e forrei as caixas com meus gibis velhos do Akira e outros mangás.

Eu fiz curso técnico em eletrônica um dia. Antes de o Collor abrir as importações.

As pessoas costumavam levar suas televisões nessas oficinas de bairro, onde o sujeito deixava a TV funcionando de novo. Depois começou essa besteira de que é melhor comprar outro novo do que consertar. Claro! Os caras das oficinas trocavam peças de R$ 0,10 na TV e depois diziam que tinham trocado o tubo. Essas merdas! Como o preço das coisas caiu um pouco e apareceram duzentas mil opções de crédito e parcelamento, ficou mais fácil pagar R$ 10,00 na parcela da TV nova do que pagar R$ 50 para o cara arrumar a velha.

E tome lixo eletrônico!

Aqui em casa eu consertei meu DVD da Philips. Paguei R$ 45 no leitor, que eu comprei no Mercado Livre. Abri o bicho, troquei e agora espero que dure outros cinco anos. Um DVD Player novo está na fixa de R$ 140. Quer dizer que eu economizei quase R$ 100! E nem é tão complicado assim. Se você brincou de Lego uma vez na vida, vai ver que é a mesma coisa. Tire os parafusos, abra a máquina, solte os fiozinhos com cuidado. Observe o lugar onde eles estavam encaixados. Se você for esquecido, cole umas fitas crepes com letras ou cores. A com A. B com B.

Tire a peça velha, coloque a nova no lugar, feche com cuidado e ligue. Guarde seu dinheiro para fazer algo melhor.

Olha esse sonzera que foi do meu pai. O velho comprou isso em 79. Deixei um tempo na sede do Movimento, os negos zoaram o bicho todo. Trouxe para casa, abri, limpei, consertei, montei de novo e customizei as caixas usando gibis velhos e cola branca.

Sabe quantos 3 em 1 meu pai teve depois desse som? Três. Isso é o que significa Três em Um. Três merdas para um bom.

Caçambas

Duas cadeiras de acrílico que eu salvei da caçamba. O encosto de uma e o assento da outra estavam quebrados. Com um trabalho de serra elétrica, transformei as duas nessas banquetas.

Eu aprendi a vasculhar caçambas quando fazia teatro no curso Anglo, lá em Osasco. Na época o dono nos dava a maravilhosa quantia de R$ 50,00 para a produção de nosso espetáculo de encerramento. A prefeitura de Osasco desapropriou um quarteirão inteiro ali no centro, para a construção do hospital público. Eu passava por ali todo santo dia e ficava olhando aquelas casas sendo destruídas. Janelas, portas, fiação, disjuntores, vasos sanitários… Tudo no lixo.

Gastei os R$ 50,00 comprando fardo, que é um tecido que se usa para embrulhar tecidos no atacado e é vendido por peso. Comprei um rolo de arame e juntei o povo do elenco para trazer coisas das caçambas que pudessem nos ser úteis.

Dai em diante, não posso passar perto de lixeiras e caçambas nos bairros nobres. Higienópolis e Vila Madalena são demais! Na época em que a gente tinha a sede do Movimento Humanista na Albuquerque Lins, fiz um monte de coisas com lixo de caçamba.

Essas duas banquetas foram cadeiras de acrílico que eu encontrei quebradas, numa lixeira na Vila Madalena. Uma delas tinha o encosto danificado e a outra estava com o assento. Vi a área útil que as duas tinham em comum, cortei o excesso com serra makita e fiquei com duas banquetinhas transadas. De grátis e ainda faz bem ao meio ambiente!

Painel de Ferramentas

Da lama ao caos

Tem quase dez meses que a gente se mudou aqui para o Butantã, onde eu pude finalmente construir uma oficina para as minhas gambiarras. Eu já devo ter arrumado essa bancada umas mil vezes. Sou um sujeito muito desorganizado e apressado, então as coisas precisavam ficar mais fáceis de eu pegar e de largar também. Minha oficina ideal teria um robô chamado Amélia, que ia limpando tudo e guardando as ferramentas no lugar. Um dia eu termino de construir ele. Por enquanto, fiz esses painéis de ferramentas com dois fundos de armário em MDF que eu encontrei em alguma caçamba por aí.

Luminária de enceradeira

...se pintou de vermelho carmim, se eletrificou, se acendeu...

Eu ganhei essa enceradeira da minha sogra e lá na casa velha ela passou cinco anos atrás da porta da cozinha.

Nunca precisamos usá-la como enceradeira, mas eu gostava do visual da coisa e sempre pensei que ela poderia se transformar em outra coisa.

Ela se transformou nessa luminária para a minha oficina e o motor dela foi o meu primeiro esmeril-gambiarra…

Concha de Feijão Elétrico

Pegue duas conchas de feijão...

Aqui uma luminária, que eu construi usando conchas de feijão e um prato de plástico.

Tá aqui na casa da gente, no Butantã.

Dia 11

Pronto para dar o próximo passo…

Quando me movo daqui, o que eu quero realmente?

Algo para mim?

Quis deus como algo para mim?

Quis o deserto…

E ainda o cacto, o bastão, a água oculta, o próximo passo…

Quis me desapegar da vida e vim até aqui. Até o vazio.

Aqui percebo que ainda quero algo.

Percebo que quero o vazio.

Posso me livrar da companhia do desejo?

É possível um amanhã sem o desejo?

Dia 10

Voltando mais uma vez a essa duna, ou à próxima.

Voltando mais uma vez ao deserto.

Terei eu saído daqui em algum momento?

Terei eu vivido fora dessas areias?

O antes, com sua companhia insuportável, terá existido?

Não teria tudo sempre sido esse agora? Sempre a repetição deste instante?

Sempre a mesma duna, o mesmo deserto, o mesmo homem buscando deus ou a solidão?

Um nada buscando outro.

Dia 9

Desde o dia de ontem, os dias ficaram mais presentes.

Não há ninguém para agradar.

Nem uma viva alma.

Nem deus.

Nem cacto.

Nem o maldito deserto.

Não se agradam de mim nem eu deles.

Um enfadonho e permanente agora.

Sem recompensa alguma pelo final.

Sem castigo pelo erro.

Sem nada.

Porque o tempo passaria?

Porque haveria um amanhã?

Um amanhã verdadeiro, não o ontem travestido de possibilidades.

No entanto, o amanhã real chegará. Não o amanhã do filósofo, o amanhã eterno. Não.

O amanhã do natimorto chegará.

O amanhã que se encurta, ampliando cada vez mais o ontem.

A morte.

Um deserto – dia 8

Não saio dessa situação de estar perdido.

Qualquer movimento parece ter muita importância.

Acabo acuado e imóvel, com a sensação de estagnação dominando tudo.

Que fazer para sair daqui?

Porque eu voltei aqui? Na verdade essa é a pergunta correta a se fazer.

Porque eu voltei aqui?

Por hábito.

Sempre me movi desde este lugar. É como voltar para casa.

Voltar a um ponto conhecido do caminho para, desde aí, tentar seguir adiante. Isso fazemos quando estamos perdidos.

Eu estou perdido?

Um homem olha a paisagem que tem diante dos olhos e não a reconhece.

Está perdido?

Está num novo território.

Não tem ainda a cartografia dominada.

Está perdido?